A Articulação Estadual pela Memória, Verdade e Justiça, composta por diversas entidades sociais, realizará neste domingo (11), em São Paulo (SP), um escracho contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. O ato é motivado pelas ligações de Marin com a ditadura militar e por sua suposta responsabilidade na morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na capital paulista, em 25 de outubro de 1975.

A concentração será às 14h no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, região central de São Paulo.

Em 1975, durante a ditadura militar, Marin era deputado estadual pela Arena, partido que dava sustentação política ao regime. Em dezembro do mesmo ano, o atual presidente da CBF fez um discurso criticando a TV Cultura, que não cobriu um evento do governo, e exigiu que providências fossem tomadas quanto ao tipo de jornalismo praticado pela emissora para que a “tranquilidade” no Estado fosse retomada.

Dezesseis dias depois do discurso de Marin, o então diretor de jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, foi preso e assassinado no DOI-Codi. No dia seguinte à morte, o comando do Exército divulgou nota oficial informando que Herzog havia cometido suicídio na cela em que estava preso. Entretanto, no dia 24 de setembro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a retificação do atestado de óbito do jornalista, informando que sua morte foi causada por maus-tratos.

Com o fim do regime, Marin se candidatou a prefeito da capital paulista em 2000 e a senador dois anos depois, mas foi derrotado em ambas as eleições. Ele então se voltou para o mundo dos dirigentes esportivos. Depois de anos na vice-presidência da CBF, assumiu o comando do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 e da presidência da entidade, após a renúncia de Ricardo Teixeira, acusado de corrupção.